Por um mundo com mais séries de “competição fictícia”:

Sejam bem-vindos ao texto de hoje, que será um texto que eu quero escrever faz tempo. É um texto que é ao mesmo tempo uma grande homenagem ao que é um dos meus gêneros narrativos favoritos, e uma ligeira frustração por quantas poucas obras temos desse gênero, isso é, para aqueles que sequer consideram um gênero, oficialmente, creio que sequer pode ser considerado um. Me refiro aqui ao estilo narrativo cheio de potencial e pouco utilizado que é o da competição fictícia.

PopsMuriel

Ou seja, histórias, focadas em uma competição em que, pela história não nos indicar um protagonista claro, não sabemos quem vai vencer e ser o campeão, possibilitando a escolha de favoritos, a imersão e a torcida, mas simultaneamente, o fato de ser uma história e não a realidade, permite uma grande maleabilidade, em especial nas regras e uma dose cavalar de zoeira e avacalhação.

SlagBrothers
E não se engane por sequer um segundo. O que torna esse gênero magnífico é a zoeira.

Em resumo. Obviamente, embora um filme como Speed Racer seja uma história sobre uma corrida de carros, ela não se aplicaria, pois a história é do Speed, sabemos que ele vai ganhar. Assim como Slam Dunk é a história do Sakuragi, e mesmo nas partidas que ele perde, é ele que estamos ali pra acompanhar, e não o campeonato. Um filme novo do Speed Racer em que ele perca, será focado na sua derrota, e seria trágico e o expectador não seria induzido a torcer pela derrota do Speed. Nesse ponto uma competição fictícia se diferenciaria de uma história de um esportista. Seria menos Speed Racer e mais… Wacky Races, exemplo clássico e de alto alcance do que eu estou falando.

Mas podemos observar esse tipo de história que me fascina até bem antes de Wacky Races. Por exemplo, em 1946, os desenhos da Warner Bros, os Looney Tunes lançaram esse personagem chamado Foghorn Leghorn, que na tradução brasileira foi renomeado como Frangolino…

FoghornBarnyard

… sabem, eu sempre fiquei intrigado em como eles enfiavam “lino” no fim do nome de todo mundo nessa época sem contexto algum. Era alguma piada interna da época? Era pra padronizar os nomes? Gente, tinha o Frangolino, aí o Daffy Duck virou Patolino, o Elmer Fudd virou Hortelino, o Chilly Willy virou Picolino. Lino era um nome tão comum na época? Isso sem contar o Yosemite Sam que virou Eufrazino, que não tem o lino, mas parece ser fruto da mesma lógica.

Enfim, Foghorn Leghorn, o Frangolino, sempre foi um dos meus favoritos dos Looney Tunes, perdendo somente pro Wile E. Coyote e pro próprio Bugs Bunny, porque, hey, com o rei dos coelhos não tem como comparar. E o que eu gostava no Foghorn era justamente como os desenhos dele seguiam uma lógica diferente de todo o resto da época… na minha perspectiva infantil, soava justo.

FoghornBlown

Tipo, os desenhos da época todos seguiam uma lógica bem clara. Logo no começo do desenho, tem que ficar estabelecido e claro, quem vai bater e quem vai apanhar, e uma vez com a dinâmica clara, sabemos que o Coyote sempre vai se foder pro Roadrunner. Que o Tom sempre vai se foder pro Jerry. Que o caçador nunca vai caçar o coelho. Mas não com o Foghorn. Ele tinha em seu rival esse cão, que se chama Barnyard Dog, e a relação deles não tem essa hierarquia. As vezes o Foghorn ganha, e as vezes o Barnyard ganha. As vezes é o Foghorn que está quieto em seu canto pro Barnyard ir ser cuzão e as vezes é o oposto. Era maravilhoso. As vezes os dois apanhavam ao longo do desenho inteiro. O melhor curta de todos é aquele em que o Daffy (também conhecido como Patolino) vende produtos pra eles usarem um contra o outro, lucrando em cima da rivalidade. Obra-prima.

Enfim, isso seria uma espécie de protótipo do que seria uma competição fictícia, porque apesar de tudo, o desenho ainda defendia um pouco o Foghorn, mas 15 anos depois essa fórmula de uma rivalidade eterna e cômica onde a cada história um dos adversários vence, foi aperfeiçoada nas tirinhas de humor da MAD chamadas Spy vs Spy. Tirinhas de humor onde dois espiões idênticos, exceto por um ser branco e o outro preto, tentam matar o outro, machucar o outro, ou roubar algo do outro com um número de armadilhas e bugigangas, e no fim da tirinha um deles acaba levando a melhor com um twist, mas cada vez era um, em uma competição justa e eterna. Essa tirinha era uma grande sátira da Guerra Fria na época, com dois lados de cores opostas, mas métodos idênticos, lutando pra ganhar a vantagem em relação ao outro em uma luta em que apesar de várias vitórias pra ambos os lados, não vai acabar nunca. E essas tirinhas estabeleceram isso, uma história em que lados não são tomados.

spyvsspy.png

SpySpy

Agora indo pra onde esse conceito virou um gênero próprio: o primeiro grande exemplo do que foi uma obra de competição fictícia, seria o clássico da comédia It’s a Mad Mad Mad Mad World, tão, mas tão clássico que até hoje é uma notável referência nos poucos exemplos de filmes que fizeram algo semelhante. O filme de 1963 conta a história de um grupo de estranhos que testemunham um acidente de carro na estrada. O motorista acidentado era um notório ladrão, que em seu leito de morte declara onde ele escondeu sua fortuna, fazendo os demais motoristas entrarem em uma corrida para chegar primeiro ao local e ficar com todo o dinheiro. Conforme eles vão atrás do dinheiro, mais pessoas acabam descobrindo sobre ele, escalando a situação e a competição a níveis incríveis e cômicos.

madmadworld.jpg

É genuinamente uma das melhores comédias de todos os tempos. E deixou sua marca na história da comédia. Nos anos 90 ela ganhou um pseudo-remake não-oficial, cuja única semelhança é a corrida pelo dinheiro, chamada Rat Race que é uma das minhas comédias favoritas. Inclusive agora você sabe porque resolveram traduzir o filme em português pra Tá Todo Mundo Louco, alusão direta ao seu antecessor.

ratrace.jpg

A graça tanto de It’s a Mad Mad Mad Mad World quanto de Rat Race é que literalmente não é uma corrida oficial, é uma corrida informal, de gente gananciosa querendo dinheiro, e não há regras. E esse “não há regras” é lindo, pois os personagens roubam balão, avião, cavalo, carro, moto, e tudo o que podem pra chegar primeiro. Existe uma variedade alta de quanta zoeira pode rolar pra essas pessoas conseguirem ganhar.

Enfim, dois anos após o filme sair, saiu outro filme chamado The Great Race, que não é um exemplo de uma competição fictícia, mas que era um filme centrado em uma corrida, onde o perfeito e heroico Leslie Gallant, auxiliado pela bela e feminina Maggie Dubois tinha que vencer uma corrida ao redor do mundo do perverso e trapaceiro Professor Fate. O filme era uma comédia pastelão, e por misturar pastelão com corrida, foi comparado a It’s a Mad Mad Mad Mad World, mas o grande motivo de eu estar falando desse filme aqui sem considerá-lo uma competição fictícia, é porque ele inspirou a maior competição fictícia que já existiu na história:

WackyRacesPoster

Wacky Races! Esse é o grande exemplo do gênero que já existiu! E olha, embora quem me veja falando de animação no blog saiba que eu não gosto nada da Hanna-Barbera, e critico a influência que esse estúdio teve na animação, eu dou o braço a torcer que foi nesse ponto que eles foram excelentes. Está fácil entre os melhores desenhos do estúdio.

Wacky Races foi um dos desenhos mais populares que a Hanna-Barbera já produziu, e isso fica claro no fato de que assim como rolou com Scooby Doo, o estúdio se auto-plagiou diversas vezes. Com o Yogi’s Space Race e o Fender Bender 500, ambos com corridas que eram disputadas entre o alto-escalão da Hanna-Barbera, em contraste com os corredores originais de Wacky Races.

YugiSpaceRace
Uma das facetas mais idiotas da Hanna-Barbera era essa, de ver que uma série fez sucesso e fazer outras cinco iguais. se fosse os estúdios concorrentes eu até entendia, mas porra, usa o dinheiro dessas duas séries novas, e aumenta o orçamento da série original pra melhorar a qualidade, sabem?

E que corredores, um mais carismático que o outro, um cara dirigindo com os pés com o urso no carro, um bando de anão mafioso, um vampiro em um carro com um dragão, esse desenho era ouro por isso, cada um desses caras tinha o próprio carisma, e expectadores diferentes, vão simpatizar com corredores diferentes. Eu mesmo na minha infância torcia sempre pro Professor Pat Pending, mas hoje, como adulto, eu percebo que estava errado, e que o Lazy Luke que diria com os pés acompanhado de um urso era o rei daquela corrida.

LazyLuke

Li uma vez, que existia um programa de auditório nos EUA que pedia para seus participantes apostarem em quem seria o vencedor do episódio da semana de Wacky Races, como parte do programa, mas fui pesquisar sobre o assunto para citar aqui, e não achei nada, então pode ser um boato. O importante é que o que torna esse boato verossímil, é que o desenho dava margem para esse tipo de interatividade acontecer, para realmente torcermos para um daqueles corredores malucos. Por isso foi um sucesso, e por isso fizeram outros dois desenhos idênticos.

FenderBender500

A fórmula de Wacky Races, sem o formato de corrida foi reciclada também em ainda outro desenho, mas como mudaram o formato, ficou muito mais interessante que esses auto-plágios, que era o Laff-a-Lympics (aqui no Brasil ficou Ho-Ho-Limpicos). Igualmente imersivo, víamos três equipes competirem por medalhas de ouro, prata e bronze. Essas equipes eram todas formadas por personagens da Hanna-Barbera, e tinham uma espécie de meta-linguagem nelas, uma vez que os Scooby Doobies eram formados por personagens da fase recente da Hanna-Barbera, enquanto os Yogi Yahooeys eram formados por personagens da primeira fase do estúdio. Os Really Rottens eram formados por vilões que tentavam trapacear em cada prova, e eram derrotados, pois trapaceiros nunca vencem, mas ainda assim, existiam episódios que eles conseguiam medalha de prata, e até um em que eles conseguiram o ouro, surpreendentemente. Diferente de Dick Dastardly que sempre ficava fora do pódio em Wacky Races.

LaffALynpic

Enfim, mas felizmente a Hanna-Barbera se tornou passado e toda sua obra junto, seguindo a existir somente em reprises, remakes de Scooby Doo e na DC Comics. Com isso Wacky Races, suas cópias e Laff-a-Lympics acabaram. E o gênero acabou também.

Até que em 2007 estreou a animação canadense que mais representou o legado de Wacky Races na história. Total Drama Island, que após sua estreia estabeleceu que o nome da série era só Total Drama e que Island era a primeira temporada somente. Total Drama é uma das minhas séries animadas favoritas de todos os tempos, o que é difícil de ser fã, pois as últimas temporadas foram meio ruins, e a próxima vai ser uma abominação. Mas apesar disso eu amo muito essa série.

TotalDramaIsland

A série é essencialmente uma reprodução animada de Reality Shows competitivos, mais especificamente Survivor/No Limite. Onde a um grupo de personagens fictícios competem todo episódio em desafios de alta tortura e periculosidade, em busca de um prêmio ao final, a cada episódio um deles é eliminado da prova até culminar no fim da temporada onde só sobraram dois.

AlejandroCody

É sério, eu adoro esse desenho, mas apesar, disso sou obrigado a dar os méritos a quem merece. A ideia não foi tão original assim, afinal, o Cartoon Network teve essa ideia primeiro.

Sim, lá no comecinho dos anos 2000, quando a primeira temporada de Survivor tinha acabado de acabar nos EUA, e o show era um fenômeno nacional gigante, o Cartoon Network fez a sua própria paródia do Reality Show, em que times de personagens da Hanna-Barbera competiam com os Cartoon Cartoons para ver quem seria o último a ficar na ilha. Essas paródias eram curtinhas, e exibidas durante os comerciais sobre o nome de Staylongers, ou Passando dos Limites como ficou no Brasil, uma vez que o sucesso de No Limite  no Brasil copiando o formato permitiu que a paródia viesse até nós. Obviamente eles não mostraram a competição inteira, mas no final o vencedor foi o Brak, de Space Ghost, mais especificamente a encarnação de Space Ghost Coast-to-Coast, o que é muito justo, pois foi o maior híbrido entre Hanna-Barbera e Cartoon Network que a fusão dos dois estúdios já produziu. No final se revela que foi tudo um sonho do Brak que fez Space Ghost refletir sobre existir demanda para um desenho com o seguinte formato, o que ele chamou de “ideia nova para o canal.”

Staylongers

Não foi a única vez que o Cartoon Network fez algo do gênero. Nos bons tempos do canal, existia uma coisa chama Copa Toon, em que eles faziam um torneio de futebol entre times formados pelos personagens do desenho. E acho que algo parecido existe ainda hoje em dia em joguinho pra jogar no site, mas porra, lá no começo dos anos 2000 eles faziam o bagulho de verdade, com animação original deles jogando, uma tarde inteira no canal sendo perdida para vermos a partida, interrompida pelo Space Ghost comentando, fazendo piada e entrevistando jogadores de futebol de verdade. 2002 foi um ano particularmente bom, pois o Mojo Jojo (Macaco Louco) narrou lado a lado com o Space Ghost, e as Powerpuff Girls venceram a final emocionante contra Dexter’s Lab. É a única que eu lembro o resultado. Era foda!
CopaToon

Pois bem, o Cartoon Network jamais produziu nada parecido após isso, depois que parou de fazer a Copa-Toon, nada mais do gênero foi produzido, e o “desenho realidade” que o Space Ghost idealizou não vingou. O que me dá a impressão de que alguém no Cartoon Network teve a ideia, testou-a nos comerciais, para testar o público, e não deu certo, mas quase uma década depois, algum canadense viu o Space Ghost falando e teve a epifania de sua vida.

Embora eu não chegue a dizer que as cinco temporadas de Total Drama foram um sucesso de público, elas sustentam um fandom o suficiente pra manter a série viva pelo que eu presumo será pra sempre, os produtores afirmaram querer pelo menos dez temporadas, e a sexta já está a caminho. Em 2016, a série conseguiu lançar um Spin-Off também de cópia do formato de Reality Show, mas dessa vez o Reality copiado foi The Amazing Race, em uma série chamada Total Drama Presents: The Ridonculous Race.

RidonculousRace

Além de 6 temporadas e um Spin-Off, a série foi imortalizada sendo a série pela qual Peridot e Lápis Lazuli ficaram obcecadas e assistem obsessivamente em Steven Universe.

CampPiningHearts
Camp Pining Hearts, uma série canadense sobre um acampamento em que dois times ficam competindo entre si, e a Peridot fica shippando todo mundo com todo mundo. Só pode ser Total Drama essa porrta.

Apesar de eu achar que o verdadeiro legado de Wacky Races está em Total Drama, existem tentativas de trazer a série de volta. Um piloto de série chamado Wacky Races Forever, foi lançado, no meio dos anos 2000, mas sem sucesso em virar uma série, uma pena, pois era ligeiramente interessante. Mas nesse ano, em 2017, estreou um remake oficial de Wacky Races, no Boomerang americano, e bem, o resumo da história, é que esse remake é tão, mas tão ruim, que me fez vir aqui escrever um textão sobre porque Wacky Races é um exemplo bom demais de um gênero subexplorado demais pra vir um remake ser uma merda.

WackyRaces2017

O remake reduz a linha de 11 carros oficialmente disputando o prêmio a cada episódio para somente 4 dos carros originais (Dick Dastardly, Peter Perfect, Penelope Pitstop e Gruesome Twosome), com um corredor original (um menino-gênio, que eu nem me dei ao trabalho de aprender o nome), e uma corredora que aparece só de vez em quando que é a irmã gêmea da Penelope Pitstop chamada Pandora Pitstop. E coloca a corrida em último plano em tamanho nível que em boa parte dos episódios o expectador não sabe quem venceu.

OutsidetheCar
É um absurdo o tempo que essa galera passa fora dos carros.

Enquanto no original, existem contas para saber qual dos 11 corredores oficialmente venceu o campeonato, pontuando com base nos campeonatos reais por primeiro segundo e terceiro lugar. Quase todas as contas feitas premiam os Boulder Brothers ao final.

BoulderBros

E esse é o ponto, Wacky Races usava a corrida como pretexto para fazer um monte de gag visual com os carros manobrando, os motoristas sendo espertos, e obstáculos sendo perigosos, mas mesmo com esse pretexto pra comédia, a corrida nunca saiu de foco, no final do episódio víamos o fim da corrida. No remake a corrida saiu tanto, mas tanto de foco, que no primeiro episódio ela é concluída em uma competição de patinação.

Dastardly

E bem, vou ser sincero, o que eu queria mesmo não é um remake bom de Wacky Races, embora eu não fosse reclamar de um. É sim de novas séries que aproveitassem o legado. O resultado é roteirizado, ficcionalizado e surreal, mas o fato dele ser secreto, torna o envolvimento do público na competição legítimo. Somos apresentados a um set de personagens sem hierarquias entre eles que determine um como o “principal e portanto vencedor”, elegemos nosso favorito e torcemos, não deveria ser mais complicado que isso.

De certa forma é similar ao apelo que o WWE tem, boa parte da audiência sabe que existe scripts por trás das lutas, mas isso não importa, a ficcionalização não entra no caminho da competição e de como essa competição gera entretenimento. E isso não é uma crítica ao WWE, eles são um dos formatos de entretenimento mais fascinantes que existem na atualidade, e o fato de que ele continua firme e forte depois de ninguém mais acreditar na autenticidade da competição é só um sinal de como todo o resto que envolve o evento é muito foda e bem-feito, e isso é algo que só gente muito foda consegue fazer.

WWE

Na atualidade, tivemos um filme que saiu faz uns 5 anos atrás aproximadamente em que o Jack Black, o Owen Wilson e o Steve Martin competem pra ver quem observa mais passarinhos em um ano chamado de Big Year, que é uma comédia bem mais ou menos. E lá em 1971, teve essa comédia também chamada Scavenger Hunt, em que várias pessoas competem pra ver quem coleta um número maior de uma lista de itens ao longo de uma tarde pra poder ficar com a enorme herança de um falecido milionário.

E com isso acabam meus exemplos, pois é isso que nós temos. Esses exemplos, e em nichos muito específico, pastelões dos anos 60, Hanna-Barbera brincando de monopólio da animação e uma produção canadense. Se notarmos bem, todos os exemplos que temos desse gênero caem na comédia, o que faz sentido, pois esse cenário é um prato cheio pra situações cômicas, permite estabelecer muito rapidamente o objetivo dos personagens, e explorar os limites e exageros que eles irão para ganhar o jogo, e o quanto mais over-the-top ganhar.

Mas o mais fundamental é a interatividade, e a coleta de favoritos. Esse tipo de imersão, de convidar o expectador a se envolver e a selecionar favoritos dentre um elenco de personagens diversos sempre foi uma saída que funcionou bem na ficção. Quando são obras de suspense, o subgênero é o whodunnit (ou seja, uma história de detetive que implicitamente te convida a tentar solucionar o caso antes do detetive, narrando cada pista, pista falsa, e suspeito para o leitor sem fazer o detetive tirar nada do cu, para que o leitor tenha a chance de montar o quebra cabeça sozinho), e Agatha Christie zerou o gênero dos whadunnits e mesmo hoje ele é enorme entre os fãs de suspense. Na comédia seria essa competição fictícia, com um potencial tão grande, um dos maiores e mais clássicos filmes de comédia da história como um dos grandes exemplos do gênero, mas essencialmente, pode ter a maioria dos seus exemplos citados rapidamente em um texto curto de blog.

ItsaMadMadMadMadWorld

Vivemos em uma época de muita repetição e pouca inovação no entretenimento, mas aqui eu vejo potencial não atingido ainda, é nesse subgênero da comédia que podemos tirar a nova grande comédia da história do cinema.

Mas mesmo tendo ambições menores, entender o potencial escondido nesse tipo de série poderia permitir coisas mais simples como por exemplo, saber como conduzir um remake de Wacky Races que não seja uma grande porcaria. Triste ver que isso aconteceu.

Se for pra avacalhar com a série, ao menos que façam como a DC Comics e avacalhem em grande estilo! Estilo Mad Max!!

WackyRaceland

6 thoughts on “Por um mundo com mais séries de “competição fictícia”:

  1. Eu sempre fui apaixonado por esse gênero e já tentei ir atrás de desenhos como Corrida Maluca e Total Drama, mas infelizmente não achei @.@’ Vou dar uma olhada nesse Its a Mad Mad Mad (…) World (é um dos únicos filmes da lista que eu não conhecia kkk) e uma pena a forma q o remake saiu :/ Ainda to pra ler a Mad Max version kkk Espero q seja pelo menos divertida 😂

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  2. Você pode gostar de UnREAL! É uma série sobre os bastidores de um reality show fictício nos moldes de The Bachelor. E aí acaba que a gente ganha duas séries em uma – uma sobre manipulação midiática, bafões da indústria do entretenimento, abuso de poder e todo tipo de sujeira por trás do glamour da “good television”, e outra em que a gente torce para algumas competidoras, odeia outras, acompanha as provas e eliminações e quer saber quem vai ganhar, que nem em uma competição guilty pleasure qualquer da MTV ahahaha

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    1. Não sei se vale um texto muito grande não. É mais que eles dominaram a industria por 3 décadas, e nesse meio tempo a industria ficou estagnada. A qualidade técnica ficou pior do que era, e os roteiros eram mega boçais, pois eram pensados para crianças (em um estereótipo de que criança não pode ver nada elaborado), pois criança não ligava de ver animação meia-boca, gerando um círculo vicioso. E o monopólio era tão forte que ninguém que quisesse quebrar o ciclo e crescer na industria com algo bom tinha espaço, pois a norma era baratear a produção o máximo possível. E tudo era reciclado, tanto tecnicamente com frame repetido em cena diferente para cortar gastos, quando em séries, com Scooby Doo tendo uns 4 auto-plágios que a Hanna-Barbera fez em si mesma para aproveitar o sucesso da série, um sinal da força do monopólio.

      Começou lá em 1950 e só no meio dos anos 80 que isso foi quebrado. Mas é essencialmente isso. Sinto que o estúdio representou um retrocesso nos desenhos animais em geral por décadas. Não é mais complexo que isso. Mas tem um texto futuro onde vou tocar o assunto para falar de outro assunto.

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  3. Não tem a ver com esse texto mas fica como recomendação o filme Kimi no na wa (Your Name). Assisti no Netflix nesse final de semana e achei fantástico. Na verdade fica um pedido para algum texto falando sobre as animações japonesas em geral seria ótimo 🙂 Tem um outro texto em que você fala brevemente sobre o estúdio Ghibli o qual tambem sou muito fã!

    E ah pra falar que eu não falei sobre o texto em si o mangá Battle Royale eu acho que se enquadra nesse subgênero. Se você não conhece ele é uma espécie de Jogos Vorazes só que de uma forma mais brutal, os jovens personagens são colocados numa ilha e o último sobrevivente basicamente ganha. Ele é interessante por ter uma narrativa que vai variando sobre todos os personagens tirando o protagonismo e criando essa tensão de não saber se o seu personagem favorito vai sobreviver além de mostrar sob várias perspectivas por exemplo: tem o personagem que quer matar todo mundo, o que não quer matar ninguém, os que tentam formar grupos, os que tentam escapar e por ai vai. Só fico meio assim pois apesar de obviamente se tratar de uma ficção eles tentam retratar de uma forma humana e sem tantos absurdos (apesar de estarem lá também) o que tira um pouco dessa margem para o humor acredito eu. Abraços!

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  4. Você ja assistiu obanstar races?

    A intenção era de que todos torcessem para a protagonista, mas era legal ver varias tipos de concorrentes e que voavam de varias maneiras diferentes

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