One Piece – Viajar é preciso:

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Vamos encerrar esse ano falando de um dos mangás mais populares do mundo e um dos temas mais recorrentes desse blog, que nesse ano de 2023 atinge o pico de sua popularidade graças ao sucesso da série da Netflix? Sim! Vamos falar de One Piece, de novo, pois de tempos em tempos eu sempre vou voltar pra falar de One Piece. O que é bom lembrar, como todos os textos do Dentro da Chaminé, esse vai possuir spoilers e falar do mangá todo incluindo assuntos que ainda não apareceram nem no anime nem na série da Netflix.

E One Piece como qualquer obra de mais de duas décadas de vida já deu pano pra manga pra falar de muitos temas. E como é uma obra muito debatida na internet, muita gente já falou dos principais. De como o mangá aborda revolução, liberdade, amizade, luta contra a opressão, o valor da história, de que maneira o Oda lida com questões de gênero ou com personagens LGBTQIA+. One Piece tem muito material pra ser visto por muitos recortes. Eu mesmo já falei aqui sobre a relação do mangá com parentesco, com predestinação e com o anti-autoritarismo.

Mas hoje vou falar de um que eu, pelo menos, vejo muito pouco ser debatido, curiosamente visto que é um dos mais na cara: quero fazer um texto sobre o ato de sair para o mar.

O termo “sair para o mar” é repetido constantemente em One Piece, para indicar que um personagem deve subir em um barco, deixar a ilha natal e explorar o mundo, seja fazendo isso como um pirata, um explorador ou um marinheiro, diversos personagens são aconselhados a um dia sair pro mar como um ato de extrema importância para a sua formação.

O mangá começa com o protagonista saindo pro mar, mas… o que significa? Qual a importância que a série dá de fato pro fato de sair pro mar? Pra relação dos personagens com as ilhas e com os demais personagens? Bom, o texto é pra pensar isso, pensar em como o mangá trabalha o tema da viagem e da jornada que os personagens fazem como um grande ato necessário e suas consequências.

Então bem-vindos ao dentro da Chaminé e o texto de hoje é sobre a importância de sair pro mar, e como isso se traduz de um ato literal em um mundo fantástico dominado por oceanos a uma visão de mundo e uma postura que você pode aplicar mesmo sem de fato ter acesso a um barco..

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Pois esse texto é escrito em homenagem a todos que já apoiam o blog. A esse grupo bacana, esperto a quem eu devo tanto. Obrigado por mais um ano ajudando a por esse blog dos trilhos, vocês são os verdadeiros heróis dentro dessa chaminé, e espero que gostem do texto.

E esse texto é sobre One Piece.

Vamos lá, One Piece se passa em um mundo geograficamente estranho até pros padrões de um mundo de fantasia. O mundo é composto por um único continente, que é uma parede de pedra dando a volta ao mundo e que pra ser uma massa de terra colossal rodeando todo o planeta, é bem mal habitado, com aparentemente somente uma única cidade ali, onde a elite vive. E todo o resto da população vivendo em ilhas, espalhadas pelos vários mares que temos no mundo. Os 4 Blues, os dois Calm Belts e a Grand Line…. Olha só, são os sete mares.

Exceto que a Grand Line pode ser dividida em dois mares, então são os 8 mares…. Pô, qual a graça de 8? Isso é uma competição? É o Oda tentando ganhar do mundo real que tem supostamente sete mares?

Enfim, essas ilhas são em sua grande maioria países, um país só contido na ilha toda. A maioria desses países são reinos, por default, embora tenhamos cidades-estado como Water Seven, e presumidamente poderem existir outras organizações de governo. Mas o que não tem de fato é uma ilha com dois países dentro dela dividindo seu espaço, cada ilha é meio que o seu próprio universo do povo lidando com o reino.

O mais próximo de uma exceção a essa parte que tivemos foi Skypiea, mas tem duas particularidades. Tecnicamente o Upper Yard era uma segunda ilha no céu, então meio que são duas ilhas, mas isso envolve forçar um pouco pro argumento encaixar. O outro ponto é que no final os dois povos são unificados em uma só Skypiea.

E foi o único país com esse tipo de conflito até agora.

Então em One Piece cada país é literalmente uma ilha. Relativamente em estado de isolamento. Exceto por Water Seven, que só é capaz de fazer isso graças a um complexo de trem marinho que conecta ilhas, nenhuma outra ilha é mostrada participando ativamente de comércio uma com as outras. E isso não prova nada, talvez elas comercializem entre si com frequência, é só um ponto de construção-de-mundo que o mangá aborda. Mas no geral, elas parecem ter a economia bem autossustentável, o país vive de si mesmo.

Na vila Syrup, onde Usopp nasceu, o único navio local que existe é o navio de passeio da menina mais rica da vila. É enfatizado que o navio era de passeio, e foi construído pra ela por lazer, então assume-se que o negócio que enriqueceu ela não é feito por mar, e ninguém mais na vila precisa de um navio a trabalho.

Kaidou fabrica armas em Wano e vende pro mundo inteiro também, mas isso é explicitamente contrabando mais do que uma nação vendendo seu principal recurso pra outras nações.

Não tem nada que indica que as ilhas de fato tenham um sistema de passar comida, ou recursos naturais pra outras ilhas em transações. Elas parecem todas ser extremamente isoladas.

E o máximo que quebra seu isolamento é o fato de que algumas delas, mais de 170 países, são parte dessa organização chamada Governo Mundial, uma aliança que faz os 170 reis desses 170 países responderem aos líderes do mundo, sigam algumas leis gerais, e sejam parte da jurisdição da Marinha, a força policial que protege essas ilhas de piratas, e possam fazer encontros diplomáticos de 4 em 4 anos para trocar figurinhas com outros reis e decidirem novas leis comuns entre as nações. Tudo isso em troca de uma taxa significativa e difícil de pagar.

Mesmo com o Governo Mundial sendo o absoluto vilão da série, e uma instituição condenável, o estado caótico do mundo faz com que países que não podem pagar pela sua afiliação sejam vistos como vítimas, e o acordo pra entrar no Governo Mundial seja algo do interesse da maioria das nações, inclusive as que são diretamente oprimidas pelo Governo Mundial depois de sua afiliação, devido a uma questão de segurança.

E estar na jurisdição de proteção da Marinha é visto como algo que a maioria dos países quer ter. E que muitos líderes que odeiam o Governo Mundial engolem um sapo e fazem acordos pra ter essa jurisdição.

Enfim, a geografia básica é essa. A gente não sabe quantas ilhas não-afiliadas tem no mundo de One Piece, e sabemos que o governo reune mais que 170. Mas ao longo de 25 anos do mangá já vimos mais de 50 ilhas diferentes, umas com mais foco do que outras.

E é uma das forças do mangá, o quando ele vende a sua construção de mundo, e a diversidade de povos diferentes que vivem em países diferentes no mangá.

Dito isso, One Piece não é Game of Thrones, as culturas diferentes não tem aquela complexidade invejável de religiões distintas, variações linguísticas e costumes, e tudo no mangá pende pra simplificação e pra caricatura pra passar o ponto, mas sim, vemos várias dessas ilhas.

Mas nossos heróis não moram em nenhuma delas, eles moram em um barco. Todos eles deixaram suas ilhas pra trás, alguns planejando voltar, outros não, mas todos saíram de casa radicalmente, pra passar anos no mar.

Então falemos sobre isso.

Fazendo amigos.

One Piece é um mangá protagonizado pelo bando do Chapéu de Palha, um bando pirato formado por 10 piratas, cada um tendo nascido em um lugar completamente diferente.

Além de virem de 10 ilhas diferentes, elas estão devidamente distribuidas no Oceano, então temos 4 do East Blue, onde a tripulação foi fundada: Luffy, Nami, Zoro e Usopp; temos o Sanji do North Blue; o Franky do South Blue; Brooke e Robin do West Blue e o Chopper e Jinbei que nasceram na Grand Line. Com os detalhes extras de Vivi, nascida na Grand Line ser um membro honorário do bando.

Todos eles, saíram pro mar pra realizar um sonho. Um sonho grande demais pra ilha onde eles cresceram, e um sonho que ia exigir que eles visitassem lugares, conhecessem pessoas, fizessem amizades e ampliassem seus horizontes.

Não se desenha um mapa-mundi completo da sua vilazinha.

E o único jeito de saber que o navio que você fez deu a volta ao mundo é estar dentro dele quando isso ocorre.

Então eles saíram e fizeram companheiros, testemunharam o que consideravam impossível, aprenderam que as coisas mais surpreendentes existiam, e o mais importante, conheceram um ao outro, e formaram laços inimagináveis com pessoas que nunca visitariam seu local de origem a passeio.

Desses a que mais foi abalada pela experiência foi Vivi, ou melhor, ela é a única que tivemos a oportunidade de ver como sair de Alabasta, ver uma terra de gigantes, ver neve rosa transformar uma montanha gelada em uma cerejeira, e formar amizade com um moleque do Reino Goa transformaram a relação dela com o mundo de uma maneira que a princesa que voltou pra Alabasta não era mais a mesma que tinha saído.

E o peso que a viagem teve no espírito dela é algo que fica muito explicitado no texto da obra. Ela não podia continuar a jornada, ela tinha um dever com seu povo, mas ela queria, ela sente outra relação com o mar, e um prazer em explorar e conhecer o novo de uma maneira que ela não tinha tido antes.

Mesmo que ela já tivesse saído de Alabasta por motivos diplomáticos antes, não era a mesma coisa.

Pois ela não foi pra Levely na infância pra fazer amigos.

E a amizade é meio que o grande ponto de tudo.

400 anos atrás um explorador do South Blue chamado Montblanc Norland enontrou a cidade de Shandora e seus habitantes e ficou particularmente amigo de um homem chamado Calgara. Norland e Calgara vinham de mundos completamente diferentes: Norland era um botânico com grande conhecimento científico e que não tinha nenhum respeito pela prática religiosa do povo de Norland que sacrificava pessoas como forma de pedir pros deuses a cura de doenças que poderiam ser curadas com as ervas corretas.

Norland e Calgara aprenderam muito um com o outro e com a troca cultural deles. Apesar de ter existido conflitos pela religião, o contato com a ciência de Norland não diminuiu a fé de Calgara e 400 anos depois seu povo segue extremamente conectado com as tradições. Norland plantou abóboras naquela terra que se tornaram o símbolo da troca cultural que rolou naquela terra, Norland voltou pra seu povo contando diversas histórias sobre as maravilhas do mundo e sobre como ele era mais vasto e diverso que o reino de Lvneel.

E assim amizade dos dois se tornou uma memória que os descendentes de Calgara passaram a proteger 400 anos depois, desejando trazer paz pro espírito dos dois com uma tradição deles.

E especialmente. A amizade deles ressignificou o papel do Sino Dourado de Shandora na cultura deles. O Sino que servia pra guiar os espíritos dos ancestrais pra casa, passou a servir pra guiar os vivos. Quando Norland se foi, Calgara prometeu tocar o sino pra permitir que Norland ache Shandora de novo. E 400 anos depois, os descendentes de Calgara tocam o sino pra pedir que Luffy volte. A experiência ensinou eles a pedirem pela visita alheia e pelo retorno dos amigos forasteiros.

Infelizmente a história de Norland é só o exemplo mais forte em que a amizade entre duas pessoas de dois povos distantes mudou as duas pra sempre. Mas, o subtexto da colonização e a ideia de que Norland quase que levou o rei de seu povo pra terra de Norland onde ele cometeria um genocídio não torna esse o melhor exemplo de olha como o mundo mudou pro bem com essa amizade.

Temos um exemplo melhor, mas ele é mais sútil, e envolve o professor de Nico Robin, Clover.

Clover é um historiador e queria saber a verdade por trás do século perdido, ele rodou o mundo em busca de documentos e textos que o ajudassem a entender a verdadeira história, foi preso dez vezes pelo Governo no processo, escapou da prisão dez vezes e nesse processo ele conheceu gente, falou com pessoas e fez vários amigos.

Dois desses amigos em questão foram Monkey D. Dragon e Dr. Vegapunk, dois personagens que foram muito marcados pela amizade deles com Clover, e por consequência, muito abalado por sua morte e pela tragédia que foi o genocídio de Ohara que o levou.

No ato de sair pro mundo e explorar o mundo com amigos e criar uma rede de contatos, o que Clover fez, foi tirar Ohara de um estado de isolamento. Quando Ohara foi destruída, isso se tornou um problema pra todos que amavam Crocus e entendiam o significado do ataque.

Dragon que liderava um grupo de resistência não-violenta contra o governo chamada Lutadores da Liberdade, se radicalizou, formou um novo grupo, mais violento e rebatizou de Exército Revolucionário. Vegapunk organizou o recolhimento e restauração de todos os livros de Ohara que ele conseguiu salvar a passou a proteger a biblioteca de Ohara da censura do governo.

Quando 20 anos depois Vegapunk encontra a última sobrevivente de Ohara, ele fala pra ela como se ela fosse um de seus pares. Ele é um gênio da física, da química e das ciências exatas. Robin era uma arqueóloga, uma cientista das humanas. Mas Vegapunik já fez expedições com cientistas de humanas antes, e quando fala de coisas como história e ciências sociais, ele acha que é tudo cientista, que vive de pesquisa.

Quem ajudou Vegapunk a recolher os livros de Ohara foi um gigante chamado Jaguar D. Saul, e Jaguar D. Saul nasceu no South Blue e em algum momento de seu passado saiu de sua terra natal e foi para o mar com algum objetivo. Provavelmente querendo virar um marinheiro, pois é isso que ele foi por boa parte de sua vida. Mas um dia Saul prendeu outra pesquisadora de Ohara, Nico Olvia, que mudou sua mente, o convenceu a não dar sua lealdade ao governo e fez ele abandonar a Marinha pra salvar Olvia. Eu não sei se ele saiu de sua ilha pra se juntar a marinha, mas presumindo que foi, sua capacidade de fazer laços no mar, permitiu que ele mudasse sua mentalidade e se rebelasse contra o Governo.

Saul então levou esses livros pra Elbaf. A Terra dos Gigantes. Quando vemos Saul pela primeira vez ele fala com certo desdem de Elbaf, e sendo ele próprio um gigante ele não queria ser confundido como alguém que pertence àquela cultura. Mas seja lá o que rolou entre ele e Elbaf, ele foi capaz de fazer as pazes com isso e fazer uma aliança com aquela cultura.

A capacidade de ouvir o outro, e fazer contato com outras culturas mudam o mundo radicalmente.

E nenhuma mudança foi mais radical de Donquixote Mjosgard. E o que aconteceu com ele na Ilha dos Homens-Peixe.

Quando a escravidão dos homens-peixe foi legalmente abolida, muitos escravos foram libertados como um ato de boa fé, mas o Dragão Celestial, Mjosgard, não gostou nada disso e decidiu que ai pessoalmente pegar seus escravos de volta. Porém os homens-peixe voltaram pra Ilha dos Homens-Peixe, a 20.000 metros abaixo do nível do mar em um caminho perigosíssimo e cheio de perigos, e pra encurtar a história, Mjosgard deu ruim, perdeu sua tripulação e quase morreu.

O que impediu o “quase morreu” de virar um “morreu” foi a presença da Rainha Otohime, que salvou Mjosgard, impediu os demais homens-peixe de aproveitar sua vulnerabilidade pra se vingar do tratamento horrível que os Dragões Celestiais cometeram à sua raça por séculos, impediu os ex-escravos de Mjosgard de se vingar do tratamento horrível que eles pessoalmente sofreram do Mjosgard por décadas, e cuidou de suas feridas.

Otohime acreditava que uma vingança pública, mesmo ao mais desprezível humano, deixaria um mal exemplo pras crianças. Então ela salvou Mjosgard.

Em algumas semanas Mjosgard ficou bem o bastante pra voltar pra superfície, o que ele fez em tom de ameaça, como se fosse questão de tempo pra ele voltar com um exército… Mas então Otohime o surpreende falando que quer voltar com ele pra superfície e fazer negociações sobre os direitos dos homens-peixe.

Sob todos os conselhos do contrário ela foi, incluindo o próprio Mjosgard que achou que ela estava fazendo burrice. E considerando que a gente viu a Shirahoshi ser presa e escravizada mesmo sendo uma princesa que foi convidada a ir pro evento em missão diplomática, eu entendo como uma mulher-peixe ir pra Mary Geois era uma péssima ideia.

Mas ela vai e passa uma semana em Mary Geois e isso fica absolutamente offscreen, não sabemos nada sobre como foi essa semana em que ela circulou pela terra que mais oprimiu e ainda oprime seu povo na história do planeta. Sabemos só que ela voltou sã e salva, e que ela voltou com um documento em mãos que gerou esperança sem precedentes pra um futuro em que as relações entre homens-peixe e humanos mudassem, que só Deus sabe como ela convenceu aquele bando de nojento racista a escrever esse documento pra ela.

E que a presença dela mudou a visão de mundo de Mjosgard pra sempre, ou nos termos que ele coloca, que ela transformou ele em um ser humano, e deu a ele a perspectiva que ele precisava pra poder se opor aos demais Dragões Celestiais, e a própria cultura. Mjorgard traiu todo seu povo pra proteger a filha de Otohime quando ela foi escravizada, e por isso ele pagou com a vida, sendo considerado um traidor.

Vamos falar um pouco sobre os Dragões Celestiais.

Os Dragões Celestiais:

Os Dragões Celestiais são o grupo mais asqueroso e desprezível de One Piece, e eles já cruzaram tantas linhas morais que eu não acho nem possível o Oda criar alguém que seja pior do que os Dragões Celestiais. Gente que já era nojenta e sem redenção antes, e nos últimos meses o mangá ainda colocou genocídio-por-hobby na lista de crimes deles, e ainda evidenciou o abuso sexual que sempre esteve implícito em situações como a da Hancock, mas agora vimos uma vítima clara e explícita que foi forçada a ser esposa de um deles.

Esse bando de filho da puta vive em Mary Geois, a cidade no topo da Red Line também chamada de Terra Santa. E eles ativamente se veem como Deuses, e a lei dita que eles devem ser tratados como o equivalente a deuses, eles usam o título de “São/Santo”, e eles existem a parte de qualquer lei, não podendo ser julgados ou condenados por absolutamente nada…. Exceto é claro, por se voltar contra os demais Dragões Celestiais.

Mas de onde veio essa gente podre?

Bom, eles são descendentes das 19 famílias que se mudaram pra Mary Geois 19 anos atrás. Essa parte de One Piece tem muita coisa não explicada ainda, mas até onde sabemos a história de fundação do Governo Mundial envolveu uma guerra que foi travada entre 900 e 800 anos atrás, entre uma aliança de 20 reinos contra um inimigo comum que ou incluía ou se resumia a um país sem nome conhecido popularmente apelidado de Reino Antigo. Pois bem, o Reino Antigo foi destruído e após a vitória os 20 reis vencedores se reuniram em Mary Geois onde estabeleceram os termos do governo que eles fariam, que não foram todos cumpridos.

Os 20 reis supostamente deveriam jurar sua lealdade a um trono vazio, para concordar que não existiria jamais um único governante. Sabemos que na prática isso não ocorreu, pois Nerona Imu, um dos 20 reis governa todos os demais e senta no trono vazio. Aparentemente Nerona Imu desenvolveu alguma forma de imortalidade que permite que ele governe o mundo até o presente, 800 anos depois.

Não sei se quando eles fizeram o protocolo do trono vazio estava implícito que não deveria ter hierarquia entre eles ou não, mas no presente, vemos com clareza que somente cinco pessoas, de cinco famílias diferentes realmente governam o mundo e lidam com política, enquanto outras 14 famílias vivem somente no hedonismo desfrutando de seus excessos em Mary Geois, apesar de alguns membros que servem aos Soldados de Deus, serem uma aparente exceção de exercerem alguma forma de dever ali.

Também foi decidido entre eles que os 20 reis passariam a viver em Mary Geois com todas suas famílias e que eles iriam oficialmente abdicar da ideia de serem reis, escolhendo cada um uma nova família de monarcas para governarem seus respectivos reinos em seu lugar. Desses a única exceção foi a família Nefertari, pois sua rainha Nefertari Lili se recusou a isso, não jurou lealdade ao Trono Vazio, e seus descendentes seguem governando Alabasta…. Ela nunca voltou pra Alabasta depois dessa reunião em Mary Geois, mas uma carta dela chegou aos seus descendentes.

E é isso. 800 anos depois os descendentes dessa gente usufruem do status achando que eles são melhores que todo mundo, escravizando gente, caçando gente, estuprando gente, comendo lagosta, e tornando o mundo ativamente um lugar pior pra manter seus privilégios e seu desprezo pela raça humana.

Mas enquanto os Dragões Celestiais acham que eles são mais que humanos e não respeitam os humanos, por se sentirem Deuses, existe um descendente dos 20 reis que não se sente assim. Nefertari Cobra, o rei de Alabasta e descendente de Nefertari Lili.

Eu sou um particular fã da cena de Cobra se curvando pro Luffy e afirmando que o título de rei era algo que ele vestia em cima de sua roupa e que ele não era rei quando estava nu, por isso durante o banho ele tinha a oportunidade de agradecer Luffy da perspectiva que importava, como um cidadão e como um pai ele quis agradecer Luffy por salvar seu povo. Eu acho que está entre as cenas mais poderosas de One Piece, mencionei ela em outro texto meu sobre One Piece, e é isso. Ela enfatiza como Cobra vê a si mesmo, como parte de seu povo.

Existe uma forte alienação por parte dos Dragões Celestiais, que vem não de ter sangue de gente ruim nas veias, mas vem muito do quão isolados e presos no próprio mundinho eles são. E Cobra educa Vivi a não ser isolada. Ele incentiva que ela faça amigos como parte do povo, frequente a casa de outras crianças e não seja a princesa quando está com os amigos, que a Vivi se veja como parte do povo, isso é como a Vivi foi criada e isso afeta a sua relação com os demais.

Eu repito o que disse no outro texto que comentei. Eu acho do caralho que a Vivi fundou um clube com o amigo Kohza e virou a vice-lider do clubinho, a hierarquia que ela ocupa entre as crianças quem define são as próprias crianças e seu papel de princesa não é exercido nesse grupo.

E falar sobre Dragões Celestiais quebrando o seu estado de isolamento do mundo e vendo o mundo real envolve falar sobre o Mjosgard que eu já abordei, mas envolve principalmente falar sobre dois parentes de Mjosgard. Donquixote Homing e Donquixote Doflamingo.

Homing um dia, sem deixar claro qual foi o gatilho pra sua decisão, decidiu que ia sair da Red Line e viver com as demais pessoas com sua família, ele queria perder seu status de Dragão Celestial e viver como uma pessoa normal, sem seus privilégios. Sua decisão foi recebida com ódio pelos Dragões Celestiais, que o declararam um traidor, e ele foi de fato desconectado do grupo. Mas Homing estava feliz, Homing se via acima de tudo como um humano e não queria essa distinção entre eles e os demais humanos.

Não deu certo!

As pessoas na ilhazinha no North Blue onde Homing foi viver não queriam um Dragão Celestial entre eles, e achou que a perda de privilégios dele só tornava ele e sua família mais vulneráveis pra vingança, pra serem linchados. Homing, sua esposa e seus dois filhos sofreram horrores nas mãos dos civis. O tratamento horrível que eles sofreram e os meios de saúde aos quais eles foram negados acabaram custando a vida da esposa de Homing.

Homing cometeu um erro. Ele mesmo sendo contra o que os Dragões Celestiais representavam, e mesmo sendo melhor que eles, Homing nunca entendeu de fato o quão forte era o ódio do povo pelos Dragões Celestiais. Homing nunca imaginou que não podia só descer da Red Line e ser aceito de braços abertos.

Bem diferente do que Mjosgard fez. Mjosgard mudou sua visão de mundo sobre os Dragões Celestiais faz 10 anos, ele parou de ter escravos e aceitou ser um pária de má reputação por ali, mas nunca cogitou deixar Mary Geois, ele já foi quase linchado no passado, ele sabia o que aconteceria, e ele ficou pacientemente esperando sua chance de se rebelar dali mesmo.

Mas o foda é que Homing acreditava que descer da Red Line iria fazer bem pro seu filho, Doflamingo, que era cruel, desconectado e gostava de ter escravos e tratá-los feito lixo. Era importante pra Homing educar Doflamingo longe desse ambiente.

Mas obviamente ser torturado, linchado, odiado e ver sua mãe ser morta não fez Doflamingo se conectar com os não-nobres. O desprezo de Doflamingo só se transformou em um ódio vingativo corrosivo, contra o mundo. Ele tentou voltar a ser nobre, mas eles nunca iam permitir que o filho de Homing voltasse, pis Homing traiu os Dragões Celestiais.

O que Doflamingo fez foi achar laços com o crime, onde ele criou seus verdadeiros laços. Com a trupe de bandidos que eventualmente se tornaria o bando pirata Família Donquixote. Com eles, Doflamingo deu um golpe de estado no reino que era de sua família 800 anos atrás antes deles abdicarem da coroa, e criou ali o espaço pra si, ao custo dos demais.

Doflamingo se destaca dos demais vilões de One Piece pelo quão profundo é seu laço com seus companheiros de bando, ele reforça que ele matou seu pai e seu irmão com as próprias mãos, então aquelas pessoas são sua família, e de fato, encontrar uma família deu ao Doflamingo uma paz, mesmo ele continuando sendo uma pessoa nojenta querendo se vingar do mundo.

Mas uma coisa é importante notar no Doflamingo.

A gente vê com clareza que ele era um nojento quando era criança.

E a gente vê ele ganhando traumas e motivos pra perder mais ainda empatia e respeito pelo próximo.

Mas mesmo assim o mangá enfatiza com força que o Trebol, com sua má influência, corrompeu o Doflamingo e o moldou para ser o filho da puta que ele é hoje. A vida anterior do Doflamingo é fundamental pra entender seu trauma, sua dor e seus valores, claro, mas os laços que ele fez depois, e a amizade que ele fez com outros filhos da puta que definiram pra onde ele foi e o que ele fez com seu trauma.

Pois esse é o ponto. Os personagens precisam sair de suas ilhas, mas não necessariamente saindo fisicamente delas, mas tirando sua mente da ilha pela perspectiva de alguém de fora. Homing saiu de Mary Geois, mas se ele entendesse o básico da perspectiva de quem mora fora ele não teria saído. E ao deixar Otohime entrar em seu navio, Mjosgarg saiu mentalmente de Mary Geois e conheceu outra perspectiva de maneira mais efetiva do que na sua tentativa de ir pra Ilha dos Homens Peixe

E Calgara nunca saiu de Shandora, mas ao se abrir pra Norland, ele saiu de Shandora e entendeu o mundo de fora dele.

Pois esse processo faz eles passarem a se entender não só como habitantes de sua ilha, mas como representantes de sua ilha, habitando o mundo.

Habitantes do Planeta Terra:

Na segunda metade da Grand Line, chamada de O Novo Mundo, existe uma ilha chamada Wano. E essa ilha está faz muitos anos isolada do mundo. Fazer contato com pessoas de fora, e deixar o país são crimes. E estrangeiros são atacados na hora por serem gente de fora. Esse isolacionismo, naturalmente é uma regra que acha brechas.

Afinal o governo de Wano negocia com o Governo Mundial e com o mercado negro, e os recursos naturais de Wano assim como seus produtos são um jeito de sair do país e chegar ao mundo.

Porém a recíproca não é verdadeira, conhecimento sobre o mundo, ou coisas de fora não chegam a Wano. Eles não usam Den Den Mushi, chamam os frutos do diabo de magia, e são racistas com a diversidade racial do mundo de One Piece, pois de fato não conhecem nada sobre outros povos.

Enfim, tinha esse cara, o Oden, o filho do Shogun de Wano. E sabe o que ele faz? Ele quebra a regra. Ele ao encontrar um bando pirata sai de Wano, se junta a tripulação, explora o mundo, vê visões magníficas e no processo, sabe o que ele descobre? A história de Wano.

Afinal Wano foi parte importante dos eventos que ocorreram 800 anos atrás, sendo esses exemplos inclusive o motivo pelo qual Wamo se isolou do resto do mundo. Para proteger uma arma de destruição em massa que foi escondida no país nos eventos do Século Perdido. Oden viajou nas tripulações de Barba Branca e Gold Roger por cinco anos. E nesse processo ele investigou e descobriu sobre o século perdido.

E chegou a conclusão de que ele Wano precisava abrir suas fronteiras e parar com seu isolacionismo. O que ele escreveu em seu diário e se tornou um desejo herdado de Momonosuke e Yamato.

Mas Momonosuke vai esperar a hora certa pra abrir as fronteiras, provavelmente por causa da arma de destruição em massa.

Mas o importante é isso. Wano foi um país que fez parte dos conflitos do Século Perdido, e presumidamente combateu os 20 Reinos. Mas ao isolar o país e fazer ele não ser mais parte do mundo, você apaga a história do país, gera um grupo de descendentes que não entende pelo que lutam ou por que protegem os Poneglyphs. Para Oden entender mais sobre Wano, ele precisou se entender não como habitante de Wano, mas como habitante do mundo, e um explorador capaz de se conectar com pessoas das mais diversas origens.

Afinal, como Somni-451 disse. “Conhecer a si mesmo só é possível pelo olhar do outro.” isso é válido pras pessoas, é por isso que precisamos de uma outra pessoa ouvindo o que a gente fala pra nos ajudar a entender nossa mente e por isso a terapia funciona. E isso funciona pra identidade nacional de um país. Ele precisa da perceptiva do papel que ele ocupa no mundo pra ser compreendido também.

Muitos dos povos que aparentam ter lutado contra os 20 reinos e hoje protegem os Poneglyphs que registram a história do século perdido aparentam ser nações isoladas. Não sei se isso foi uma consequência dos acontecimentos do século perdido ou se é coincidência ou o que. Afinal Shandora só foi parar no céu por acidente. Mas é notável que muitos deles perderam a habilidade de se conectar com o mundo. Parcialmente por serem países nas localizações mais inacessíveis do mundo.

Mas eles precisam quebrar esse isolamento. Pois eles precisam voltar a ser parte do mundo. Muitos aliados de Oden sairam de Wano também e puderam formar laços fortes, e esses laços fizeram Wano ser libertado de seus opressores por um exercito diverso incluindo muita gente de fora como Marco, os Minks e o bando do Chapéu de Palha, que fez amizade com o filho de Oden, Momonosuke.

Da mesma forma, Bartholomew Kuma ao explorar o mundo procurando uma cura pra doença de sua filha Bonney, conheceu muita gente, e fez muitos laços, e esses laços ajudaram Kuma a salvar o Bando do Chapéu de palha, mandando eles pra ilhas que Kuma sabia que ajudaria eles a evoluir e se preparar pro Novo Mundo.

É curioso, que a igreja de Kuma tem esse símbolo do Sol no meio de sua cruz, que todos os povos que protegem Poneglyphs aparentam usar. Mas o Oda ainda não diretamente evidenciou que todos esses símbolos são o mesmo símbolo. Os fãs notaram sozinhos. E eu me pergunto se os personagens já notaram que eles usam o mesmo símbolo.

Quase como se esses povos precisassem entender ainda o quanto eles estão conectados entre si. Entender sua conexão com outros povos é fundamental. E talvez eles precisem viajar mais pra isso.

Conclusão:

One Piece é um mangá que se destaca pelo seu tamanho já tem muito tempo. Seus mais de 1100 capítulos intimidam possíveis novos fãs que acreditam que é um tempo grande demais que vão investir pra chegar aos atuais da história. E mesmo assim, eu acho que One Piece se destaca dentre os mangás que costumam durar uma quantidade enorme de tempo, por ter uma história que exige um número muito grande de arcos pra dar a escala necessária pra batalha final.

Luffy vai salvar o mundo, e pra isso precisamos conhecer o mundo. E o mundo não é só a casa do herói, pelo contrário, o mundo é um número muito diverso de casas que o herói jamais conheceu.

O mundo é Sorbet no South Blue. É Ohara no West Blue. É Lvneel no North Blue e a ponte de Tequila Wolf no East Blue. O mundo é Lulusia na Grand Line e mais um monte de outros locais, onde tragédias inimagináveis ocorreram, e o Luffy nunca foi pra nenhuma dessas ilhas e nem sabe direito dessas coisas.

Mas a gente sabe.

Arco atrás de arco nós descobrimos novos locais no mundo onde o terrível Governo Mundial que dominou o mundo 800 anos atrás faz uma nova atrocidade, e entendemos mais os que os horrores não são focados. Cada ilhazinha de uma maneira diferente, mas todos sofrem os abusos do governo mundial.

E o sentimento de revolta que o mangá propõe é o de que nenhuma dessas ilhas tem poder pra sozinha resistir ao Governo Mundial. Especialmente agora que foi revelada a arma de destruir uma ilha inteira que o Governo possui.

Não existe defesa interna, guarda do reino ou poder numa ilha pra aguentar horrores como a Buster Call, a misteriosa nova arma do Governo Mundial, ou os Dragões Celestiais exterminando populações por esporte.

E o mangá não é contra a revolta popular. Eu já abordei aqui como a capacidade do povo resistir e se organizar é romantizada no mangá. Mas o mangá também trabalha muito a ideia de se pedir ajuda.

De ir ajudar outro povo que não tem nada a ver com você! De se conectar com estranhos do resto do mundo, pra eles poderem te ajudar.

Pois no fundo, essas conexões são o que fortalecem as pessoas, e por consequência, os povos que elas querem proteger. Como disseram os Saltimbancos: Todos juntos somos fortes, somos flecha e somos arco.

O Governo Mundial pode intimidar qualquer ilha individualmente, mas e o povo de diversas ilhas simultaneamente?

E por isso os personagens precisam ir ao mar ganhar essa perspectiva, a de que eles não são somente habitantes de seu país, são habitantes do mundo, e quanta semelhança eles tem com pessoas que não vem da cultura deles.

Atualmente no mangá os personagens estão enfrentando um dos Cinco Anciões que comandam o Governo Mundial, São Jaygarcia Saturn. E tem algo muito interessante em como Saturn fala.

Ele fala dos humanos como se eles fossem meros insetos, sem nenhum valor, e como se ele próprio fosse um Deus, superior demais aos insetos pra ser afetado por eles.

Ou seja, Saturn vive sem conexões. Ele dominou o mundo literalmente, mas ele não é um habitante do mundo, pois embora todos aqueles países vão até a casa dele em Mary Geois na Levely debater as políticas do mundo, ele não se vê como um igual a ninguém que exista fora da casa dele.

Quando Saturn aparece em Egghead ele comenta fazer tempo que não vem pra superfície. O que é uma escolha de palavras que rima com como a ex-escrava fugitiva Ginny se referiu ao escapar, falou ter escapado pra superfície.

Pois nobres como o Saturn não vivem na superfície, eles vivem em um isolamento pesado.

E talvez seja esse o motivo de sua futura e inevitável queda. A incapacidade dele de sair de sua casa e formar aliados.

E aqui vem minha especulação. Eu acho que talvez 800 anos atrás o senso de cooperação e de ver a si mesmo como uma única unidade tenha muito forte nos 20 reis, que lutaram lado a lado, e que eles tenham ganhado a guerra, pois fizeram 20 países se ver como iguais e parte de um projeto de mundo deles. E 800 anos depois seus descendentes desaprenderam isso.

E serão destruídos, em parte por um moleque e em outra parte por todos os aliados que ele só conheceu, pois deu a volta ao mundo.

Gente esse foi o Dentro da Chaminé nesse ano. 2023 foi um ano menos produtivo que eu gostaria, mas gosto muito dos textos que consegui soltar esse ano. Estou satisfeito com os textos que escrevi.

Espero que todos tenham passado um feliz natal e tenham um excelente ano novo.

Em 2024 eu volto. Tem um texto em duas partes que eu quero escrever em janeiro, então fiquem no aguardo!

Fiquem bem, meus leitores queridos.

Sobre o autor

Izzombie

Sou um cara chato que não consegue ver um filme sossegado sem querer interpretar tudo e ficar encontrando simbolismos e mensagens. Gosto de questionar a suposta linha que separa arte de filmes comerciais, e no meu tempo livre pesquiso sobre a história da animação.

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Izzombie

Sou um cara chato que não consegue ver um filme sossegado sem querer interpretar tudo e ficar encontrando simbolismos e mensagens. Gosto de questionar a suposta linha que separa arte de filmes comerciais, e no meu tempo livre pesquiso sobre a história da animação.

Alertas

  • – Todos os posts desse blog contém SPOILERS de seus respectivos assuntos, sem exceção. Leia com medo de perder toda a experiência.
  • – Todos os textos desse blog contém palavras de baixo calão, independente da obra analisada ser ou não ao público infantil. Mesmo ao analisar uma obra pra crianças a analise ainda é destinada para adultos e pode tocar e temas como sexo e violência.

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