Game of Thrones: O que deixaria a 7ª temporada com mais cara de Game of Thrones?

Aqueles que leram os livros fielmente e amaram tudo de coração, já começaram a achar isso na segunda temporada. Os que só curtiram os livros começaram a sentir na terceira ou quarta temporada. Eu, que gostei muito dos livros, mas mantive a mente bem aberta pra série, comecei a achar foi só na quinta temporada. Mas agora, com a sétima, enfim se tornou um fato pra muitos fãs que não leram os livros. Game of Thrones é uma grande fanfic meia-boca.

Fanfic
matéria completa aqui.

No instante em que a série alcançou os livros e começou a ter que inventar a própria história, o fato de que os responsáveis pela série não tem talento para a escrita ou pro roteiro ficou evidente. A língua afiada do Tyrion acabou e ele aposentou o sarcasmo e agora só dá conselho meia-boca. Afinal quem escrevia as tiradas do Tyrion era o George R. R. Martin, e não o pessoal da série. Romances feitos só pelo fanservice começaram a brotar, alguns foram populares, e outros soam como um grande novelão.

Joenerys

Enfim, eu como fã dos livros, poderia usar esse espaço pra falar sobre as coisas fodas que estão rolando nos livros e o meu hype pra esse Winds of Winter que não chega, e só aumenta meu hype. E mencionar nomes de personagens que não foram pra série, e falar de quem eu gosto e deveria estar vivo mas a série matou, mas antes de matar distorceu sua personalidade e tudo o mais. Mas eu não vou falar sobre nada disso. Vim aqui fazer outro tipo de crítica.

A série é uma fanfic ruim. Se Winds of Winter tivesse saído 3 anos atrás, ela talvez tivesse demorado mais pra ser uma fanfic. Mas eventualmente ela seria, pois ela é feita em um ritmo mais rápido que os livros são escritos, é inevitável. Esse post é sobre como ela podia ser uma fanfic boa. Ou seja: esse post é para entendermos o que a série fazia que era tão bom, mas agora deixou de fazer pra nos mostrar um romance chove-não-molha bem bosta da Daenerys com o Jon Snow.

SansaArya
E um conflito beeeem bosta entre a Sansa e a Arya pra forçar uma tensão muito mal-feita.

Primeiro quero dar uma opinião rápida. A série chama Game of Thrones porque os produtores da série escolheram esse nome. A coleção de livros chama A Song of Ice and Fire, e esse podia ser o nome da série. Mas escolheram Game of Thrones. Se fosse eu, e eu soubesse os rumos aonde a série iria, eu chamaria de Clash of Kings. Game of Thrones é o nome do primeiro livro e Clash of Kings é o nome do segundo. E se com o passar do tempo, os personagens da série pararam de jogar o jogo dos tronos, mas confronto entre reis nunca deixou de rolar, então é um nome que abrange mais o que a série se tornou como um todo. E sim, a série se chamar Game of Thrones e apresentar uma sétima temporada onde o jogo dos tronos é muito pouco jogado é uma de minhas críticas, o título da série e o abandono do jogo dos tronos foram ambos escolhas feitas pelos criadores que podiam ser evitadas, eles fizeram suas escolhas e eu os critico por isso.

Agora vamos lá. O que a série poderia estar fazendo para parecer uma boa fanfic, pra manter a pegada das primeiras temporadas, quando mesmo com divergências com os livros, o público podia sentir que eles sabiam o que estavam fazendo?

Novos personagens:

CrownlandHouses

A série decidiu que a 8ª temporada seria sua última, e já começou a produzir a sétima em clima de finalização, amarrar as pontas soltas, e ir encerrando tudo. Com uma temporada de 7 episódios seguida de uma de 6 em contraste aos clássicos 10 episódios por temporada que haviam sido até então. E esse clima de finalização significa que a série parou de crescer e expandir seu elenco, agora só diminui. O último episódio da 6ª temporada nos deu a morte repentina de 9 personagens relevantes, e a sétima neutralizou 3 personagens relevantes que estão atualmente fora do campo de ação. Então com o elenco diminuindo assim, espera-se que ele aumente por outro lado, mas não.

Muitos me falaram que por ser fim de série eles não devem querer expandir muito, mas isso é bosta. Claro que uma série pode expandir seu elenco e sua rede de acontecimentos na reta final. Última temporada de Breaking Bad apareceu a Lydia e apareceram os nazistas. Última temporada de LOST chegou a Ilana na ilha, e revelaram ainda outro templo escondido na ilha. Último livro do Harry Potter estava apresentando personagem novo aliado do Dumbledore. Último livro de A Series of Unfortunate Events introduz personagem relevante novo. De How I Met Your MotherAvatar, the Last Airbender, os últimos momentos da série nunca foram desculpa para parar de expandir o elenco e o mundo que envolve os protagonistas, então não existe essa regra na televisão. Estar na reta final não é pretexto pra não investir em fazer aquele universo parecer vivo. E se isso vale pra séries que supostamente passam em algo próximo ao nosso mundo, em uma série de alta-fantasia, com um mundo construído foda e complexo como é Westeros, não tem porque parecer que não existem novos personagens a serem explorados.

Characters
Em especial em uma série que ficou famosa pelo seu alto número de personagens relevantes.

Os produtores podem inventar do zero personagens que o Martin não criou, ou explorar alguns que estão mencionados nos livros e não foram desenvolvidos. Existem precedentes. Na sexta temporada, a série nos trouxe Lyanna Mormont, uma personagem que ainda não fez sua aparição nos livros, mas sabemos que existe, mas na série se tornou rapidamente uma das mais populares da série toda, com sua personalidade forte, e coragem. Inclusive ela coroou Jon Snow o Rei do Norte.

Lyanna
Lyanna foi uma aparição bem-vinda para todos, mesmos os fãs dos livros. E ela sequer fez sua aparição nos livros. Até o George R. R. Martin gostou dela. Isso foi uma boa ideia. Podiam fazer mais.

Eles fizeram funcionar com a Lyanna e podem fazer funcionar com outros personagens, porque desculpa, existe espaços vagos no elenco, que pro universo fazer sentido não podem ficar vagos. E sabe como eles podem ser preenchidos e esses personagens novos podem ser criados?

Ascensão social:

PetyrBaelishVale

Vamos lá. Apesar de não parecer atualmente. Game of Thrones é supostamente sobre o jogo dos tronos. Ou seja, sobre personagens maquinando, manipulando, e conspirando entre si para poder ocupar posições de poder e se livrar de seus inimigos de maneiras inteligentes. Atualmente eles só se livram de seus inimigos queimando eles vivos com dragões, explosões de fogo verde, e o jogo dos tronos foi substituído por um grande braço de ferro de quem tem mais força. Mas antigamente, era tudo sobre um jogo de estratégia. E um bom estrategista sabe como usar os peões. As peças supostamente fracas.

JanosSlynt
Lembram do Janos Slynt, peão do Littlefinger que foi mandado pra muralha pelo Tyrion? Sem gente como ele querendo subir na vida, pessoas como Littlefinger e Tyrion ficam de mãos atadas.

Os Sete Reinos são feitos de nove regiões, e o Rei dos Sete Reinos, pretende governar as nove. No caso da série, Cersei e Daenerys deixaram bem claro que elas querem as nove sob seu poder. Pois bem, essas regiões são Norte, Riverlands, Iron Islands, Vale, Westerlands, Crownlands, Stormlands, Reach e Dorne. Vamos lá, o Norte é do Jon Snow, e se tornou independente. Riverlands, o Jaime matou o governante temporada passada e não tem ninguém controlando a região. Iron Islands são do Euron, que fez aliança com a Cersei. Vale é do Littlefinger que está tentando chegar na Sansa. Westerlands está abandonada. Crownlands é onde a Cersei controla. Stormlands está abandonada desde a segunda temporada, quando Renly morreu e ninguém surgiu pra tomar aquela região. Reach está abandonado. E Dorne está abandonado. 5/9 da região pela qual os personagens estão brigando estão abandonados, e ninguém que quer controle do reino todo está pensando em assumir controle desse espaço? Isso sem falar em Dragonstone, completamente abandonado e vazio e de portas abertas quando Daenerys chega pra ocupá-lo. Sério que ninguém ia se estabelecer num dos castelos mais importantes do reino? Aliás não precisa ser só as regiões controladas do reino, por séculos, a casa Frey se manteve relevante no cenário político, mesmo sendo vassalos dos Tully, mas por controlarem um dos castelos mais estrategicamente localizados do reino todo. E hoje o castelo dos Frey está vazio e abandonado, sem uma alma viva querendo assumir o lugar dos Frey? É isso mesmo produção?

TheTwins
Quem controlar esse castelo, controla a passagem de quase todo mundo que queira subir ao norte ou descer ao sul discretamente, sem passar pela kingsroad onde é difícil se passar desapercebido. Não é possível que essa seja uma posição de poder onde ninguém está interessado.

E é aí que entra a ascensão social. Um nobre pequeno pode se tornar governante dessas regiões caso se aliem ao vencedor da guerra, e prometer essas coisas é um bom jeito de se ganhar aliados. Algo que a Cersei tem muito pouco. Cada região de Westeros além da grande casa que a governa (e a maioria dessas grandes casas já estão praticamente extintas na série) tem dezenas e dezenas de casas vassalas com lordes sedendos de poder loucos pra preencher o vácuo de poder que ocorre quando uma delas é extinta.

BronnJaime
Sabe a cena do Bronn pedindo um castelo pro Jaime? Pois é, foi usada pra humor, mas tinha um fundo de verdade. Eles não vão dar Highgarden pra ninguém depois da guerra? Eles tem a intenção de manter o centro de controle da região mais fértil do reino, desocupado?

Foi o que rolou no casamento vermelho. A casa Frey, vassala dos Tully, tomou o lugar deles como governantes das Riverlands. E a casa Bolton, vassala dos Stark, tomou o lugar deles como governantes do Norte. Essa foi a recompensa que motivou os dois a articularem um dos maiores massacres da história da série, e se tornarem leais aliados dos Lannisters. E é assim que o jogo dos tronos funciona.

WalderFreyJaime
No mundo de Game of Thrones, pessoas com a ambição de Walder Frey não são a exceção. Eles são a regra.

Depois que perderam os escritos do Martin, a série fez um uso péssimo dos lordes menores que foram tão fundamentais em temporadas passadas. Vejam esse mapa aqui. King’s Landing é onde a Cersei está. Dragonstone é onde a Daenerys tá.

CrownlandsPolitical

Pertinho, né? Entre eles tem só essa baía. Quem controla a maior frota naval dessa baía (e uma das maiores do reino todo) é a casa Velaryon, que ocupa essa ilhazinha no meio chamada Driftmark. As duas deviam estar oferecendo mil regalias ao Lorde Velaryion, seja ele quem for, para ter o controle dessas águas que são a única coisa que separam as duas rainhas inimigas. Posição no conselho real, posição de mão do rei, aumento de terras e de honras…

Mas essas moedas de troca não existem mais na série. O conselho real foi abolido. A guarda-real foi abolida. As honras e títulos que a coroa pode oferecer pra seus aliados foram abolidos. Os títulos de governantes das regiões do reino foram abolidas. Com isso, claro que a única opção de Cersei é dar todo o ouro do reino todo pro estrangeiro pra pagar um exército de mercenários. O que mais pode ser feito?

SmallCouncil
Cada um desses homens tem um motivo político pra ter conseguido um lugar nessa mesa, envolvendo interesses do rei e o tipo de aliança que ele queria fazer. Exceto pelo Grand Maester que foi indicado pela Citadel. Aliás, como ele morreu, era pra Citadel ter mandado um novo Grand Maester como substituto, não? Mas eu entendo o argumento de que a Citadel poderia se recusar a mandar um maester em protesto ao Qyburn estar na corte, mas isso nunca é dito, nem fica implícito, fica parecendo que quando o Pycelle morre o destino do rei é ficar sem Grand Maester.

Existe precedente. Lembram na quarta temporada? Pra tentar fazer as pazes com a casa Martell, que odeia os Lannisters por serem vítimas de crimes de guerra hediondo cometidos por eles, a família real, controlada por Lannisters, oferece a Oberyn Martell uma posição no conselho real. Janos Slynt na primeira temporada também ganha uma posição no conselho real como recompensa por na hora que foi preciso, se mostrar leal aos Lannisters. Coisas que a Cersei não pode mais fazer, porque ressalto, o conselho real é um conceito que os Sete Reinos aboliram. Existe um texto aqui no blog inclusive só falando sobre como a ascensão social dos personagens é muito trabalhada.

Oberyn

Mas se as coroas pudessem voltar a fazer trocas e negociações… aí sim, eles conseguiriam novos exércitos, e aí sim voltaria a parecer Game of Thrones. E não é só oferecendo ascensões que poderiam ter voltas de negociações. Sabe o que faz tempo que não rola?

Casamentos:

JoffreyMargaery

Casamentos são a maneira mais clássica e básica de duas casas medievais selarem uma aliança. E Game of Thrones fez uso dessa artimanha durante suas primeiras temporadas ferozmente. No primeiro episódio Sansa fica noiva de Joffrey, para selar aliança entre os Stark e a família real. E no primeiro episódio, Vyseris vende sua irmã Daenerys pra ser esposa do líder Dothraki, Khal Drogo, pra ter acesso ao seu exército. Na segunda temporada, Renly se casa com Margaery Tyrell, mesmo sendo gay, só pra ter os exércitos do Reach na guerra que ele enfrentaria. E após a morte de Renly, Margaery se noiva com Joffrey, que desmancha o seu noivado com Sansa. Na terceira temporada temos o casamento vermelho, um dos picos da série de qualidade, e o casamento de Sansa com Tyrion, feito pra tornar Tyrion um possível herdeiro de Winterfell. Depois disso na quarta, temos o casamento roxo, onde Joffrey morre, e Margaery se casa com seu irmão mais novo Tommen. Bronn se casa com Lollys Stokeworth para ganhar um título de nobreza e com isso abandona Tyrion pra se virar sem seu maior guerreiro. Nisso, Daenerys estava sendo oferecida em casamento pelo líder de Mereen. Além disso, na quinta temporada, Sansa se casa com Ramsay Bolton pra colocar Littlefinger em bons termos com Roose Bolton.

RamsaySansa
Um casamento que inclusive foi uma decisão bem controversa dos produtores, que eu não posso dizer que achei uma boa ideia, pois não achei.

Agora, ninguém mais está casando. O Euron pediu a mão da Cersei, ela ignorou, e é nesse ponto em que estamos. Tá todo mundo muito solteiro, alianças precisam ser estabelecidas, mas ninguém tá casando mais.

Na sexta temporada, Daenerys abandona seu namorado Daario Naharis em Essos, explicando que quando ela chegasse em Westeros, o noivado dela seria sua maior moeda de troca, e ela deveria estar solteira quando acontecesse. Porém chegando em Westeros na sétima temporada, não só a ambição de se oferecer como esposa de outro lorde para conseguir alianças não foi a lugar nenhum, como ela achou outro namorado, fazendo parecer que na real ela só deu uma desculpa esfarrapada pra se livrar do Daario.

DanyDaario
Inclusive a Daenerys mencionou o Daario numa lista improvável de “homens heroicos que morrem cedo demais”, me pergunto se ela bateu a cabeça e acha que o Daario não tá mais com ela porque morreu.

Atualmente, Daenerys Targaryen, Jon Snow, Cersei Lannister, Sansa Stark, Robin Arryn (que os produtores abandonaram completamente), Euron Greyjoy, todos ocupam posições relevantes no cenário político dos Sete Reinos, todos estão solteiros e sem intenção nenhuma de casar até o fim da série. Ok, o Euron quer casar, ele ainda entende como o mundo funciona, mas é só o Euron.

RobinArryn
Por onde anda Robin Arryn? Sabem, não é como se ele não fosse um dos seres humanos mais importantes da política daquele mundo…

E eu não acho que pessoas tem que casar pra serem felizes, longe disso, mas eu entendo que eles vivem no mundo onde casamentos são o efeito colateral mais comum de negociações e alianças e conspirações e jogo dos tronos, e se eles não estão rolando, é porque nada disso está rolando.

Além de casamentos, sabe que outra moeda de troca existe e também foi abandonada?

Legitimação de bastardos.

Ramsay

Sabem o Jon Snow? A primeira coisa que aprendemos sobre ele é que ele é um bastardo, e que ele odeia isso. O sobrenome Snow o persegue como um eterno lembrete de que não importa o que aconteça ele não é um Stark e jamais será.

JonSnow
A gente sabe disso desde que ele tem essa cara.

Aí ele vira rei do norte e se torna um Stark aos olhos do mundo todo. Mas ainda sim ele mantém seu sobrenome snow. Qual o problema disso? Ah é um bem simples: na série ficou estabelecido que um rei tem a autoridade pra legitimar um bastardo, e ele faz uso dessa autoridade sempre que é interessante pra ele, politicamente falando.

Então, Jon Snow agora é um rei. E ele odeia ser bastardo, e ele odeia seu sobrenome Snow. E ele é rei. E o que ele mais queria era não ter o sobrenome Snow. E ele é rei. E ele legitimou a si mesmo? Não! Ele continua usando o sobrenome Snow mesmo sem ser obrigado a, por questões que eu só consigo imaginar que sejam “ah, mas a audiência se acostumou a chamar ele de Snow.”

KingSnow
“Rei Snow, não é? Não, isso não soa correto.” sim, porque não faz sentido.

Jon Snow não é o único, afinal ele não é o único bastardo da série. Gendry, ao ser requisitado como guerreiro para servir a rainha, em nenhum momento tenta dar o migué para ser legitimado, mesmo que no caso do Gendry a legitimação pudesse impedir ele de viver o resto da vida na pobreza. Em uma cena exclusiva da série, Gendry tem esse dialogo com Davos, em que Davos, que foi parte do povo, e foi muito pobre, antes de virar um nobre, explica que ele desprezava a nobreza e hesitou em se tornar nobre, mas aí pensou nos filhos não tendo que viver na merda e sabendo ler e pensou que valia a pena, e Gendry entendeu perfeitamente. Gendry não tem motivo algum pra não abraçar a primeira oportunidade de colocar Baratheon no seu nome, mas mesmo assim, não lhe ocorre tentar.

Gendry
Aliás eis um que voltou só pelo fanservice e nada mais. Puta personagem subaproveitado.

Claro que sendo Gendry um aliado de Daenerys, a legitimação dele, poderia colocá-lo como herdeiro do Trono de Ferro, e isso poderia não ser interessante pra Daenerys, uma vez que ela quer o trono pra ela. Mas sabem de uma coisa, isso poderia ser um conflito, e uma trama, mesmo que Gendry não conseguisse a legitimação, trazer um ponto de conflito disso seria algo que deixaria a série com cara de Game of Thrones. Mais do que Tyrion e Varys na bad porque a Daenerys queimou gente viva.

TyrionVarys

Enfim, existem precedentes. Ramsay Bolton foi legitimado como recompensa pela participação dos Boltons no casamento vermelho, e ser legitimado sempre foi uma clara motivação pra ele. Não só isso, como Stannis tenta Jon Snow a abandonar a Muralha e se tornar Jon Stark se lutasse por sua causa, e Jon Snow cogitou aceitar, antes de recusar por seu dever falar mais alto. Mas Jon Snow não seria tentado, se poder chamar a si mesmo de Jon Stark não fosse importante pra ele.

Mas aí temos essa piadinha de se deve ou não chamá-lo de “Rei Snow”. Ou seja, até os personagens notam como é estranho e desconfortável ele não ter legitimado a si mesmo. Mas fazer o que?

E falando no casamento vermelho…

Reféns:

JaimeLannisterHostage

Em Game of Thrones, reféns são parte fundamental de uma guerra. Você pega as pessoas próximas e importantes para seu inimigo, as sequestra e mantém em calabouços, para garantir que seu adversário não vai sair da linha e vai ser mais favorável a negociar a paz e aceitar seus termos em troca da libertação dos reféns. É o que Theon Greyjoy estava fazendo na casa dos Starks em primeiro lugar. É o que fizeram com Jaime Lannister durante a segunda temporada inteira. É o que rolou com Sansa em King’s Landing até a quarta temporada. É o que rolou com Edmure Tully na quarta temporada. É o que rolou com Myrcella até a quinta temporada. É como essas pessoas fazem guerra.

EdmureTully
Aliás, os produtores esqueceram completamente do Edmure, foi? Até onde fomos informados ele estava como prisioneiro dos Frey ainda, a Arya não libertou ele quando matou os Frey, foi?

Ok, pra ser justo, no segundo episódio da sétima temporada, o Euron pegou sim a Yara de refém. Aliás, Euron tá sendo o único que lembra como a série funciona, o que é interessante, visto o quanto ele é diferente dos livros, mas ainda sim, ele tem enraizada em seu ser, a essência do que faz a série boa.

EuronGreyjoy

Mas isso não justifica a comida de bola que foi a completa não-tentativa de se capturar o Jaime durante a batalha em Highgarden, foi anti-estratégico e burro. Todo mundo o viu cair no mar, e ninguém ficou ao redor pra quando ele saísse? Sério?

JaimeBronn
Nenhum guarda ficou esperando o Jaime sair da água pra capturá-lo? Esse pessoal entende alguma coisa de guerra?

Jaime Lannister é uma peça estratégica que quando se está em guerra com a Cersei, tem um valor inestimável vivo e capturado. Mas Tyrion, Daenerys e Varys pensando juntos não conseguem juntar esses pontos?

E aí veio o season finale, onde a Cersei faz um acordo de lutarem junto contra os White Walkers, Daenerys, Tyrion e Jon tomam a palavra de Cersei como o máximo que vão conseguir, e saem meio suspeitos, mas de mãos atadas. E então Cersei revela que não tinha a intenção de cumprir os termos. Esse contexto específico é EXATAMENTE o contexto em que trocas de reféns surgem, quando se quer a ajuda de alguém, e não se pode contar somente com sua palavra. Por protocolo, Daenerys deixaria alguém valioso pra ela na companhia de Cersei, alguém cuja vida ela não queira perder, e Cersei faria o mesmo e deixaria alguém que é valioso pra ela na companhia de Daenerys, pra após a guerra contra os White Walkers, a troca ser desfeita. Esse protocolo é tão básico nas negociações de Westeros que a impressão que deu é que em King’s Landing não tinha um único personagem que em algum momento fez política em Westeros. Mas o que não tinha é roteirista que achasse conspiração política algo interessante quando se tem efeito especial e dragão. Porque um pessoal que acha conspiração política desinteressante foi se envolver com Game of Thrones eu não faço ideia, gente perdida na vocação.

Atenção pras diferenças culturais entre os personagens:

KingintheNorth

No último episódio da temporada, em um momento chave, e marcando a morte de personagem mais relevante da temporada (que foi surpreendentemente fraca no quesito morte de personagens relevantes), Sansa Stark, em auxílio de Arya Stark e Bran Stark, enfim se vingam de Littlefinger de maneira triunfal, jogando em sua cara todo o mal que ele fez pra sua família, humilhando-o e então o executando a sangue frio enquanto ele se ajoelhava e implorava por piedade. Qual o problema disso, o problema é que os responsáveis por isso tinham a palavra “Stark” no nome deles, e culturalmente isso é tudo errado se for feito por um Stark.

Littlefinger

Os Starks são do Norte. E no Norte existe algo sagrado que é a lei da hospitalidade. Ou seja, você não faz mal para um convidado em sua casa. Uma vez que vocês partilham de uma refeição, o convidado tem o direito de se sentir seguro sob seu teto. E Petyr Baelish era definitivamente um convidado em Winterfell. Mais que isso, um convidado de honra, pois era graças a ele que os Starks recuperaram Winterfell em primeiro lugar.

RobbStarkTyrion
E se a pessoa não vai estar protegida, por não ser uma convidada nem uma hóspede no castelo. O anfitrião deve deixar isso extremamente claro, como Robb deixou para Tyrion sobre o quanto ele não era bem-vindo em Winterfell.

O suposto julgamento de Littlefinger foi uma armadilha, ele não sabia que estava no próprio julgamento até se ver na posição de réu. A ele não foram oferecidas alternativas como o julgamento por combate. Em resumo, ele foi um convidado que caiu em uma armadilha de seu anfitrião e assassinado pelo anfitrião sob o pretexto de um julgamento sem provas e sem chance de defesa. E isso é um pecado mortal que alguém da cultura de Sansa e Arya nunca cometeriam, e mesmo se elas cometessem, pois elas tacaram o foda-se, isso nunca deveria ser conduta aceita pelos demais nortenhos que viram o caso.

Piora tudo o fato de Sansa ter dado a sentença, mas Arya ter cometido a morte, e ela mesma se autodenomina “carrasco da Sansa”, depois do ocorrido. O problema? Os Starks não usam carrasco em contexto algum, é contra a cultura deles. “O homem que passa a sentença é o homem que maneja a espada.”, Ned Stark fala no primeiro episódio. E com isso, a série tira de Sansa, Arya e os demais nortenhos, duas características fundamentais pra separá-los das demais culturas da série, e se o norte não é diferente e não faz as coisas diferentes, por que caralhos eles estão brigando por independência, sabem?

AryaStark

A série nunca foi perfeita em mostrar a diversidade cultural de Westeros (a maneira como ela ignora os Rhoynar e fala somente “Rei dos Andals e dos Primeiros Homens não passou batido por mim), mas ainda assim estava lá. O Casamento Vermelho foi grave porque violou direito de hospitalidade e soou como uma cuspida na cara do norte todo.

RedWedding

E não é só isso. Passamos um bom período de tempo aprendendo como os Dothrakis são uma cultura muito diferente da de Westeros, eles não acreditam em comércio, desprezam castelos, acham que o único método de se ter um rei é na força, e vivem ao ar livre. Daenerys trouxe centenas e centenas deles pra Westeros pra lutar na guerra. O que ela pretende fazer com eles depois que a guerra acabar? Eles não vão viver na sociedade de Westeros, a cultura deles é muito diferente. Ela tem um plano pra isso? Não, a série não faz mais menção a nenhuma característica deles a não ser “são fodões.”

Dothraki
Mais do que um recurso para cenas de batalha grande, os Dothraki são uma cultura. Uma muito bem elaborada, por sinal.

Os personagens da série tem culturas diferentes e isso mostra o quão diverso é o mundo deles, e isso sempre influenciou as ações deles, mas agora a série está se focando em ser cool. E cool é a Arya matando o Littlefinger, independente do fato de que isso feito do jeito que foi, poderia custar a lealdade de diversos lordes do Norte que com razão se sentiriam insultados pela prática.

O que me leva ao último ponto…

Ações gerarem consequências:

GreatSeptofBaelor

Game of Thrones é uma série que recompensa os personagens que são estratégicos e pragmáticos, fazendo com que aqueles que realmente entendem as implicações de cada ação, e o poder do simbolismo naquilo que fazem, geralmente triunfarem em contraste aos que agem pautando na força bruta pura, ou nas emoções. Tywin Lannister talvez tenha sido o homem mais pragmático e estrategista dos Sete Reinos, e é por isso que ele foi uma das maiores forças políticas do reino por toda a sua vida.

Tywin

O que isso significa. Que muitos personagens que fazem uma ação épica, que nos pegue de surpresa, e desafie nosso conforto de que o pior não vai acontecer, pagam por isso. Afinal achávamos que não ia acontecer, pois sabíamos que era exagero, e exageros não são bons pra se manter uma boa imagem pública.

Quando Joffrey ignora o conselho de sua mãe e decide matar Ned Stark, ele não estabeleceu seu poder, ele queimou a chance de fazer trégua com o Norte, transformando uma guerra em que ele lutava com três frentes em uma de quatro frentes, e isso fodeu a porra toda pros Lannisters. A ação de Joffrey foi duramente criticada como tola e burra.

NedStarkExecution

Quando os Frey e os Bolton organizaram o casamento vermelho, eles queimaram sua reputação tão baixo, quebrando a lei da hospitalidade, que perderam a lealdade dos vassalos que eles ganharam no processo, e seus nomes se tornaram sinônimo de “pessoa sem valor” na boca de todos os personagens.

AryaWalder
Mas claro que a série matou o Walder Frey em uma vingança direta, explicitando essa como a maior consequência de suas ações.

Mas quando Cersei explode o septo de Baelor, pra matar seus inimigos. Não existe repercussão nenhuma a não ser um grande medo do poder de Cersei de matar seus inimigos. Tipo, não é da vida da Margaery que eu estou falando, é do septo. O reino é um reino muito religioso, e aquele era o centro máximo da religião dos sete em Westeros, construído pelo rei mais amado da história, Baelor o Abençoado. Era pro povo estar puto. Era pra todo lorde que venera os Sete estarem putos. Por muito menos, os Lannisters não podiam sair na rua sem o povo se juntar pra esquartejar os nobres. É inadmissível que o ato simbólico de explodir o centro da religião, e herança do rei mais amado do mundo, só pra poder assassinar a rainha que era vista como “a rainha dos pobres”, saia em branco só como “agora todos tem medo dela.” junto desse medo deveria vir uma dose de desprezo e ódio.

QueenCersei

Tipo, pra ser justo, sabemos que Cersei não tem alianças mais. Mas a série não mostrou seu fracasso em fazê-las, somente um palácio vazio que passa mais a impressão de que é pra economizar nos figurantes pra investir o orçamento nuns dragões. Enfim, ao menos uma cena, de pessoas se recusando a ajudar ou se aliar com uma inimiga de Deus era fundamental para novamente nos lembrar que aquela região é uma região muito religiosa, e na moral, você não tira o poder da religião no mundo só explodindo o vaticano com o Papa dentro, não é assim que fé e devoção de pessoas em diversas camadas sociais funciona. Se um presidente da Itália um dia explodir o vaticano com o Papa e o político mais amado pelos pobres dentro, a chance dele poder passar o resto da vida sem nunca ser criticado pelos católicos do planeta é nula.

O mesmo vale pra Sansa e Arya violando as tradições nortenhas na frente de todos seus vassalos.

O mesmo vale pra Daenerys, queimando vivos os Tarly, em vez de decaptá-los, de preferência em uma ação menos impulsiva, e com um ritual de execução, tratando-os como os guerreiros honrados e líderes inimigos dignos que eles foram.

RandyllTarly

Ações impulsivas, demonstrações de força bruta e pessoas ignorando ações com um simbolismo negativo NÃO são recompensados em Game of Thrones. Inclusive o Casamento Vermelho só rolou, pois o Robb foi imprudente e emotivo e ignorou o poder simbólico da ofensa que ele fez a Walder Frey, então é tudo um grande jogo de ação-reação. Sem isso, Joffrey seria o rei até hoje. Mas sempre que Joffrey e Cersei foram impulsivos, fodões e destroçaram seus inimigos ignorando o que isso faria com sua imagem, a reação negativa foi imediata e clara. E é como deveria continuar sendo na sétima temporada.

Mas não. Aqui foda-se. Virou várzea.
O importante é dragão.

Drogon

E isso porque não vou nem entrar em como a série sutilmente mata o grande clichês de Davi vs Golias, mostrando que o lado da desvantagem clara costuma perder por estar em desvantagem clara, independente do quanto ele esteja certo, justo ou lutando pelo bem, como foi a luta Oberyn vs Ser Gregor. E agora a série mete os sete de esparta pra enfrentar um exército de milhares e é de boa.

Seven

Não era pra ser esse tipo de série. Esse tipo de série existe, muitas vezes sai umas coisas da hora, mas Game of Thrones nunca se propôs a ser esse tipo de série, nunca investiu em ser esse tipo de série e sempre se vendeu como a antítese desse tipo de série.

Então porque eles estão fazendo isso?

O que houve? Eles não precisam fazer os acontecimentos serem os mesmos do livro, mas eles precisam, e nos devem, concluir uma história nos moldes em que começaram. Eu esperei pelos dragões e pelos White Walkers pra entrarem em cena tanto quanto todo mundo, e espero ver muita ação dos dois nos livros quando os livros chegarem nessa parte, mas se a série fosse unicamente “batalha foda de dragão” e “batalha foda de zumbi”, não haveria a necessidade de seis temporadas de maquinações políticas sendo o ponto central da série. Eles podem fazer a própria série de Dragões vs Zumbis, mas eles fizeram Game of Thrones, e aqui esses elementos de ação e CGI, e efeitos e coisas da hora precisam vir acompanhado do que fez a série ser tão aclamada em primeiro lugar. Do contrário é uma fanfic ruim.

E eu quero poder esperar pelo sexto livro vendo uma fanfic boa!

6 thoughts on “Game of Thrones: O que deixaria a 7ª temporada com mais cara de Game of Thrones?

  1. Eu concordo muito com você é e fato que a série se tornou uma fanfic de roteiristas de hollywood. Mas eu acho que na verdade tudo isso poderia ser “corrigido” se houvesse justificativas para tais mudanças. Por exemplo, eu gostei muito da morte do Littlefinger apesar de no momento que Arya cortou a garganta dele eu pensei no Ned e nas execuções cheias de pesar que ele fazia. Mas justamente esse contraste me faz pensar se talvez não existe uma tentativa de uma mudança em alguns comportamentos de certos personagens dados as coisas que viveram. Ainda nesse exemplo, Arya agora é uma assassina, e fez muitas coisas que seu pai reprovaria. Bem como Sansa só precisa de um pouco mais de ressentimentos na vida e se tornará a cópia perfeita do que o Littlefinger foi. Inclusive a maneira como ela conduziu a morte dele prova isso. Então acredito que essas decisões de conduzir as narrativas mostradas de formas mais conscientes na série já me satisfariam. Eu penso muito em como Westeros está cheia de casas e localidades mortas agora, e me incomoda não saber se isso é uma decisão consciente (o que faria sentido já que o objetivo atual é focar nos white walkers e sobreviver) ou se um puta furo de roteiro que ninguém dá a mínima de corrigir. E no momento que estamos, acredito que pode muito bem ser ambas as coisas.

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  2. Como sempre, ótimo texto. GOT não é mais a série que um dia foi e isso se deve principalmente por não haver mais livros para seguir. Enquanto que no início o que importava e interessava eram as tramas políticas e as quebras de expectativas, hoje tudo gira em torno de grandes batalhas épicas e dragões. GOT foi vítima do próprio sucesso. Nas primeiras temporadas não havia orçamentos para batalhas grandiosas (Robb Stark, por exemplo, capturou o Jaime em batalha, mas não foi mostrado em tela), e essa limitação fazia com que a série tivesse que compensar no roteiro, nas tramas, nos diálogos. Não que eu não queira ver Dragões e WW em batalhas épicas, mas isso não é o que GOT se propôs a fazer. Infelizmente essa ideia foi perdida e tudo hoje é sobre agradar a audiência.

    Guardo minhas esperanças e expectativas para os livros. Mas sabendo que o Martin contou o final para os produtores e vendo um fim de série tão irregular como esse, temo que os livros vá pelo mesmo caminho. Como tu achas que será o final de ambos? Serão semelhantes? O que está nos livros mas foi cortado da série, realmente não importa ou farão diferença?

    Abs, e escreva mais sobre GOT! 🙂

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  3. Excelente texto. Eu sou da turma que leu os livros e estava aberta às mudanças da série, mas fui ficando mais e mais desgostosa e larguei na 5ª temporada, depois do casamento da Sansa. Tanto pelo desgosto com a escolha fácil dos produtores de “estupro como ponto de virada/trauma de personagem feminina”, quanto ao ver que essa decisão não teve nenhum sentido dentro da linha de história que eles mesmos criaram, ou de desenvolvimento de personagem (ela não era a “Dark Sansa” no fim da temporada passada?). Da 6ª temporada fiquei sabendo de algumas coisas. E agora na 7ª eu fiquei curiosa e lia resumos, mas fiquei perdida em vários pontos (jurava que Daario e Robin Arryn estavam mortos por exemplo).

    Eu não tinha pensado até agora, mas o destino da Sansa na 5ª temporada explica bem as escolhas dos produtores. Eles optaram pelo impacto e pelo fanservice. A sensação era que o roteiro estava ali só para alinhar uma frase de efeito a uma cena de dragão agindo, faltou um tratamento melhor que resolveria a linha do tempo bagunçada e um monte de pontas soltas e incoerências.

    Amei como o texto explica as características que diferenciavam GoT de outras séries e como elas foram sumindo aos poucos. Vou compartilhar, porque muito amigo meu finca o pé em “Joenerys é canon, o GRRM afirmou” pra defender os rumos daquela tranqueira…

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    1. Eu sempre achei que GoT sempre tratou de sexo com a mentalidade de um moleque de 15 anos. “Tem que ter bastante. E tem que ter mais.”

      Enquanto sexo nos livros sempre soou uma maneira de dar mais humanidade aos personagens, colocando o quanto eles são influenciados pelos próprios desejos, e o quanto com a sociedade extremamente religiosa e com vidas pouco privadas, a vida sexual de um nobre poderia ter impactos profundos na sociedade medieval.

      Mas na série eu sinto que é tudo para excitar o expectador. Tipo. O casto Stannis, que mal transava com a esposa exceto em dias especiais e com o ar de quem estava cumprindo uma obrigação de marido sem prazer algum, na série se mostra completamente entregue a Melisandre, como mero pretexto para podermos ver a personagem nua. Conversas sobre política em bordeis em que mulheres nuas são cenário. Tommen foi envelhecido só pra poder ter sexo com a Margaery, sendo que no livro, o fato dele ser uma criança e Margaery não poder transar com ele é um tema trabalhado. Loras e Renly, tiveram sua homossexualidade como o pilar de sua caracterização na série, enquanto que nos livros, o fato deles serem gays é um assunto que só interessava a eles. Ganhavam algum julgamento dos demais mais conservadores, e gerava debate se Renly teria ou não herdeiros e sobre a virgindade da Margaery. Mas parava nisso. A essencia deles não era a de serem gays. Loras é um dos cavaleiros mais admirados do reino todo, e ser um cavaleiro para o personagem é muito mais central que ser gay. Mas não na série. Por outro lado, outros personagens que a série dá a entender que são gays, mas que não vão aparecer com seus namorados em cena (ou seja, a história não vai poder girar em torno deles serem gays), tiveram esse assunto descartado, como o Peixe Negro, ou foram excluídos da série completamente, como o Jon Connington.

      Por isso não me surpreendeu eles não terem tato nenhum para lidar com estupro e usarem como um desenvolvimento de personagem. Um trauma que empoderou a Sansa. Isso é ridículo. Tipo, não ponho a mão no fogo de que a Sansa nunca será estuprada no livro, assim como muitas mulheres são estupradas no livro o tempo todo, mas não vejo o Martin transformando estupro em “essa mina foi estuprada, agora ela manja da vida. Vai se vingar do estuprador e ficar mais da hora.” Enfim, nada surpreendente pra série que transformou a primeira noite da Daenerys com o Drogo em um estupro sem nenhum motivo pra isso a não ser o choque.

      A série nunca teve maturidade interna pra trabalhar sexo com objetivos além de garantir que a plateia visse os peitos de todas as principais atrizes.

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